sábado, 5 de setembro de 2009

_manchete de jornal

ela, nua, volta seus olhos ao espelho burlado de vapor de chuveiro do banheiro do quarto de hotel em que Jack Nicholson dormia para escrever seu livro.

ele, tímido e curioso, vestia uma toalha vermelha. está agachado, com vistas fixas à fechadura da porta do quarto de hotel em que Jack Nicholson dormia para escrever seu livro.

você, em pose religiosa de oração, está no quarto de hotel em que Jack Nicholson dormia para escrever seu livro.

ela, você a vê, a porta do banheiro do quarto de hotel em que Jack Nicholson dormia para escrever seu livro está aberta. sua máquina fotográfica – dela – está quebrada, o que lhe resta é a pintura – na tela de vidro, com tinta de vapor d’água – desse reflexo que a perturba: você embaçado em pose religiosa de oração.

ele, você não o vê, a porta do quarto de hotel em que Jack Nicholson dormia para escrever seu livro está fechada – e ele não tem as chaves. sua máquina fotográfica – dele – não consegue captar a imagem pela fechadura, o que lhe resta é escrever – com tinta tão cara, o sangue de suas lágrimas são suficientes – nesse pedaço de guardanapo a cena que causa um som tão perturbador: você em pose religiosa de oração gemendo em lá 440.

ela mal vê você – não sabe que é você – sabe, pois, que há algo no reflexo do espelho do banheiro do quarto de hotel em que Jack Nicholson dormia para escrever seu livro. ela não ouve sua – sim, a de você – respiração ou seu gemido em lá 440 (a ducha a ensurdece – ou é algo mais?), ela não sabe – e por isso teme o que você é.

ele vê você – não sabe que é você, apesar de saber que é humano e que está em pose religiosa de oração. a fechadura do quarto de hotel em que Jack Nicholson dormia para escrever seu livro é estreita, os olhos dele conseguem apenas capturar metonímias de você. a porta é de madeira maciça, daquelas antigas, dos tempos do hotel em que Jack Nicholson escreveu seu livro, daquelas que se escuta pouco do lá 440 que você produz.

ela desenhou. dizer que desenhou você seria mentir – mas desenhou: vapor, espelho, ela nua, você atrás, ducha, oração, Jack Nicholson.

ele descreveu você. dizer que descreveu algo que não você seria mentir – ele viu você, ele ouviu você, ele sabia que era você.

)hoje, no mundo onde o “pós-(coloque aqui o seu –ismo)” está na moda, está você a ler o sangue no guardanapo e a ver o dedo escorrido no vapor do espelho. você não se lembra do sangue e não entende o vapor. Jack Nicholson também não. Jack Torrance – o louco – solta um riso insano (em lá 444) quando vê o dedo no vapor. Jack Nicholson (que também atende como David Locke), chora uma lágrima vermelha e soluceja em lá 440.(

ela e ele – malditos! – não sabiam o que você fazia.

você sabia






)o nome desse texto mudou...perdeu a graça, mas aposto que você pegou!(

sexta-feira, 27 de junho de 2008

_o espelho

Espelho se quebrou,




)Botões por abrir,

uma abelha a te picar.




Pica-me a mim!(




Ah, isso tudo é do lado de lá do reflexo do espelho. De que me adianta?


Não sei, mas sei que amei e amo (.)

sexta-feira, 11 de abril de 2008

_o inferno de dantes

Pessoar, essa é uma tentativa de poesia...tentei aprender com o Gui, só que ele disse que não sabia me ensinar...é algo muito incipiente ainda...acho que não sirvo pra poesiar!!


Leiam e vejam o que acham...

-X-

)Das odes às odes

ao ódio às orbes,

oh! lírico faustoso, degraus

não sobes.



Encerra em ti a poesia ou passai

– das imagens floridas –

ao ente retumbante dos avoantes. Floridos

carreiros embotadas de harmonia, perca tu

, ó fausto, a tua vida.

As veredas que de cá

norteiam, é uma

e basta!(


Do semblante malogrado, ao olhar excomungado,

o passeio se perde na carreta lotada

de galinhas e bois e vacas.

Ó Fausto! ó poeta...

se enxergas

é léria.


Rabiscos,

pueris e tortuosos,

encerram os olhos nossos do

azul-em-dégradé ao laranja-tom-pastel.

O hic et nunc do agora ao agora – nunca o mesmo –

engigantam o guarda-chuva da madama de Monet; ente amado...


Ó poeta! ó político...

Ó Lírico! Ó literato!

Entortai a moral, que as letras

– um reticente ao além –

cadeias repudiam.


Antes

Palavras rabisco

a versos ajuizados


peripécias

d’zumbi – negro d’ocro

cujo soante tremula aos ouvidos dos

pretos d’hoje como estro –

minutar um croqui não arriscarei!

ARGH! – ó poesia! cadê tu?



peripécias

da unidade do martinete d’urubu

ao sambar ao lado de algodões

-doces –

de infante e Platões –

garatujando o preto’ao alvo


Se sorris, ledor,

és vencedor


Se pensas, ledor,

és lutador


Se incitas, poeta,

deixaste de ser fingidor!